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Terça-Feira, 06 de Novembro de 2018, 09h:20
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PRIORIDADES

Apoio de evangélicos influencia agenda de Bolsonaro na educação

Por: Extra

Reprodução

 

Eleito presidente há nove dias, Jair Bolsonaro tem priorizado o que considera acenos ao eleitorado evangélico, decisivo para sua vitória nas urnas. Em tramitação na Câmara, o projeto de lei da “Escola Sem Partido” — que determina a afixação de cartazes em salas de aula delimitando a atuação dos professores, para coibir suposta “doutrinação” ideológica — será um dos principais focos do governo e de sua base aliada no Congresso. Além disso, líderes evangélicos que o apoiaram na eleição veem como fundamental a nomeação do futuro ministro da Educação.

 

Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, o pastor Silas Malafaia é um dos que têm defendido junto ao presidente eleito que o próximo titular da pasta tenha como uma de suas prioridades “varrer da educação brasileira a ideologia esquerdista”. Malafaia tem dito que o presidente eleito se comprometeu a indicar um nome com este perfil. Para lideranças religiosas que apoiaram Bolsonaro, além do novo ministro da Educação, o apoio do governo a pautas como a Escola Sem Partido poderá manter o vínculo do presidente eleito com este eleitorado.

 

A importância dos evangélicos para a vitória de Bolsonaro é confirmada pelo cruzamento do resultado do segundo turno com dados do Censo de 2010 sobre religião: quanto maior o percentual de evangélicos nos 5.565 municípios brasileiros, maior foi a votação do capitão da reserva.

 

De maneira inédita, esses eleitores, que costumavam se dividir, optaram majoritariamente por um candidato. Nas 32 cidades com maioria protestante, Bolsonaro recebeu 74,26% dos votos. Esse percentual cai para cerca de 64,2% naquelas com entre 40% e 50% da população formada por evangélicos, e vai despencando conforme essa proporção se reduz. Nos 1.416 municípios onde os membros dessas igrejas somam menos de 10% da população, o presidente eleito teve apenas 28,07% dos votos, contra 71,93% recebidos por Fernando Haddad (PT).

 

Visita a templo

De acordo com o Censo, o país tinha, no começo da década, mais de 42 milhões de evangélicos. Mas estimativas de institutos como o Datafolha mostram que esse público já corresponde a algo em torno de 30% dos brasileiros atualmente, um exército de 60 milhões de pessoas.

 

Bolsonaro deu simbolismo a seu primeiro compromisso público após o triunfo nas urnas. Na noite da última terça-feira, fez uma aparição relâmpago no templo sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

 

Tratado como um popstar pelas centenas de presentes ao culto na Penha, na Zona Norte do Rio, foi recebido aos gritos de “mito, mito” e fez um curto discurso de agradecimento, onde passou recados claros.

 

— Quero agradecer a esse povo de Deus pela confiança depositada em meu nome. O que os senhores podem esperar de mim é uma pessoa comprometida com os valores da família cristã.

 

Malafaia tem frequentado a casa de Bolsonaro, na Barra da Tijuca, onde o presidente eleito recebe aliados para conversar sobre a montagem do novo governo. O líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, também é esperado para um encontro com o presidente eleito ainda antes da posse. Macedo declarou apoio ao candidato do PSL na última semana do primeiro turno.

 

Embora o senso comum por vezes trate as igrejas como currais eleitorais sob comando de pastores e políticos a eles associados, especialistas e mesmo lideranças desse meio consideram a análise distante da realidade. Embora atuem como formadores de opinião, líderes religiosos teriam uma influência limitada sobre a decisão de voto, mais baseada em valores e dogmas religiosos — mobilizados em temas como a oposição ao aborto e ao casamento LGBT. Recado passado pelo próprio Malafaia, ao lado de Bolsonaro no culto.

 

— O Estado é laico e tem que ser mesmo. É laico, mas não é laicista. Não é contra a religião, e o povo tem religião — discursou.

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Edição 156 de Novembro de 2018

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