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Quarta-Feira, 12 de Setembro de 2018, 17h:03
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#MãesNaPolítica: Elas querem lutar pelos direitos de outras mulheres e mães

Por: Revista Crescer

Mulheres são maioria no eleitorado brasileiro e respondem por 30,7% das candidaturas nas eleições 2018 (Foto: ThinkStock)

Desde que a mulher conquistou o direito de votar, em 1933, o reconhecimento da voz feminina na política nunca foi tão expressivo. Enquanto há 85 anos, grupos importantes como o das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino lutavam pelo direito da mulher como cidadã, hoje as causas como o combate da violência contra a mulher, a representatividade e a igualdade de gênero são as principais pautas defendidas por elas.

 

A historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques, professora da Universidade de Brasília (UnB) e autora do livro "O Voto Feminino no Brasil" (Edições Câmara), afirma que quanto mais mulheres se envolverem com a política, mais se abrirá espaço para um ciclo virtuoso de apoio às pautas de interesse feminino. “Mas é preciso que as eleitas se apoiem porque o ambiente político é extremamente competitivo, além de machista. A política tem que ser natural e não excepcional na vida da mulher”, afirma. “Vivemos um período em que queremos mulheres na política. Não acreditamos mais que a agenda 'universal e masculina' seja suficiente para garantir as necessidades de vida de mulheres, assim como de crianças ou idosos”, reforça a antropóloga Debora Diniz, também professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.

 

Lute como uma mãe,vote em uma mãe

À medida que as mulheres se dão conta da limitação desse cenário político masculino para debater as causas femininas, avançam os movimentos que dão força às candidatas e estimulam o voto feminino - que atualmente corresponde a 52% do eleitorado brasileiro, segundo dados da Justiça Eleitoral. É o caso da “Campanha de Mulher”, movimento criado por e para mulheres, que acompanha, apoia e divulga as ações de mais de 100 candidatas com causas feministas no Brasil. “Mais de 80% delas são mães. Muitas, inclusive, já tinham uma voz importante nas questões que envolvem o direito das grávidas, mães e crianças. Isso bem antes de cogitarem uma candidatura”, afirma Dríade Aguiar, uma das coordenadoras da campanha, que é feita com a participação de comunicadoras voluntárias.

 

Além das dificuldades comuns às mulheres que adentram o ambiente político, as candidatas mães têm de lidar ainda com o preconceito social e cultural que coloca a maternidade como um impedimento para quem quer exercer o cargo político em sua plenitude. “Somente às mulheres são feitas perguntas sobre maternidade ou creche, sobre conciliar trabalho e cuidado, política e casa. Há perversidade neste jogo de enquadramento das mulheres, mesmo quando elas se anunciam nossas possíveis representantes”, diz Débora Diniz. Mas elas passaram a mudar a forma como respondem a essas questões: “Se antes devolviam a pergunta com estranhamento, agora elas as usam para provocar o cinismo da política que ignora que creches, família, transporte, dupla jornada, emprego doméstico, trabalho informal são temas urgentes para a sociedade brasileira e não só para as mulheres”, exemplifica a antropóloga. 

 

A voz da vice

O Brasil é um dos lugares com pior representação das mulheres na política. Dos 138 países analisados pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI), com base no banco de dados primários do Banco Mundial (Bird) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ocupamos a 115ª posição no ranking mundial de presença feminina no parlamento federal brasileiro. Isso significa que apenas 10% das mulheres têm cargos políticos, número menor do que no Afeganistão, com 28%. “Uma saída urgente para reverter esse cenário de sub-representação, que é algo cultural no país, é que as mulheres ocupem postos comunitários de poder, a chamada política de base, nos cargos de vereadoras, líderes comunitárias e de organizações sociais”, acredita Débora Diniz.

 

Vale lembrar que, desde 1997, a lei eleitoral brasileira exige que os partidos e as coligações respeitem a cota mínima de 30% de mulheres na lista de candidatos para a Câmara dos Deputados, a Câmara Legislativa, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais. A partir deste ano, foi fixada também a regra pela qual os partidos deverão destinar no mínimo 30% dos recursos do fundo às campanhas de candidatas mulheres.

 

Nessa eleição, as candidatas mulheres somam 30,7% do total dos concorrentes. Só para o Senado, são 62 candidatas que disputam 54 cadeiras, segundo o TSE, um recorde na história das eleições. Dos 13 candidatos à presidência da república, duas disputam a vaga (Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU)), enquanto outras quatro concorrem ao cardo de vice (Manuela D´Ávila (PT), Ana Amélia (PP), Kátia Abreu (PDT) e Sônia Guajajara (PSOL).

 

Em todos os cargos pleiteados, o número de candidatas a vice é superior aos titulares, o que é visto por alguns especialistas como uma manobra dos partidos apenas para garantir o repasse de 30%, deixando o protagonismo da mulher em segundo plano. “Poucos partidos reconheceram mulheres como candidatas aos principais cargos nas disputas. Mas não podemos esquecer que já houve uma mudança importante: não somos só mais primeiras damas, alcançamos o posto de vice. As cotas servem, então, como medidas temporárias para a busca da igualdade, especialmente em situações de muita disparidade, como a que temos”, diz Débora Diniz.

 

Dríade Aguiar acredita que muitas mulheres são “usadas como laranja” para a promoção do candidato ao cargo titular, mas afirma que as que viveram processos de empoderamento e lutaram por ele são líderes legítimas, mesmo em cargo de vice. “Podemos citar aqui os nomes de Sônia Guajajara, que é a primeira indígena representante da ONU, e da Manuela D´Ávila que carrega a filha Laura, 3, em viagens mais longas e em sessões da Assembleia Legislativa desde pequena. Elas têm histórico na política e no ativismo pelas mulheres e mães. É preciso se fazer ouvir no ambiente político (independentemente do cargo)”, diz.

 

Esses e outros assuntos que fazem parte da pauta das mães serão abordados na série #MãesNaPolítica, que vai trazer entrevistas com sete candidatas com esse perfil, de diferentes partidos e regiões do Brasil. Acompanhe!

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Edição 149 de Setembro de 2018

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