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Terça-Feira, 23 de Abril de 2019, 15h:04
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"Vim para o Brasil para oferecer à minha família uma situação muito melhor", diz venezuelano resgatado de trabalho escravo

Por: G1

“Vim para o Brasil para oferecer à minha família uma situação muito melhor. Estamos muito agradecidos pela atenção do povo do Brasil. Vocês são muito especiais”. Essa foi a declaração do venezuelano Joe Ramos, um dos 10 trabalhadores resgatados de situação análoga ao de trabalho escravo, em Itabuna, no sul da Bahia.

 

Antes de vir ao Brasil, ele atuou como vendedor de peças de carro por 20 anos, mas como o salário que recebia na Venezuela não dava para passar o mês, ele veio para o Brasil.

 

Ele e outros nove trabalhadores, oito homens e uma mulher, vão receber três parcelas do seguro-desemprego especial. Eles estão no país desde janeiro, de forma regular, mas não tinham autorização para trabalhar.

 

Apesar disso, eles prestavam serviço a uma oficina de um parque de diversões, sem qualquer tipo de proteção e garantia trabalhista.

 

Outro trabalhador resgatado foi Jan Carlos, de 42 anos. Ele atuava como mecânico e morava no norte da Venezuela. Depois que perdeu o emprego, ele conta que a situação no seu país de origem ficou difícil.

 

“Os remédios custavam uma fortuna. Eu tive que vender minha casa”, afirmou.

Depois do resgate, que ocorreu no último dia 18 de abril, os venezuelanos entraram com pedido de refúgio e deram entrada no pedido do CPF na Receita Federal. Eles emitiram a Carteira de Trabalho, o que garante alguns benefícios, como seguro desemprego.

 

 

“Enquanto eles não conseguirem um trabalho, eles vão ter direito a três parcelas do seguro desemprego especial do trabalhador resgatado. E vão ser encaminhados também para a assistência social de Itabuna, para serem encaminhados para ofertas de emprego, para o mercado de trabalho”, afirmou Daniel Fiúza, auditor fiscal do trabalho.

 

Caso

 

Na quinta-feira, durante o resgate dos trabalhadores, dois homens, um brasileiro e um polonês, foram presos em flagrante e vão responder pelo crime de trabalho análogo de escravidão.

 

De acordo com a Secretaria do Trabalho de Ilhéus, o caso foi descoberto depois de uma denúncia feita por um dos venezuelanos, depois de conseguir fugir do local onde prestava os serviços de forma irregular.

 

A Polícia Federal e integrantes da Secretaria foram até o parque, que fica na BR-415, quando flagraram a situação. Eles eram mantidos sem cama ou colchão, eram obrigados a repassar parte do salário para o pagamento de passagens, alimentação e serviços de TV e internet.

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Edição 179 Maio de 2019

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