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Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 10h:16
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Advogados de MT rondam atingidos por barragem em Brumadinho

Por: Redação

 

Reportagem publicada neste sábado (9) pela Folha de São Paulo, assinada pelos repórteres Fabrício Lobel e Júlia Barbon, mostra que advogados de Mato Grosso e outros cinco estados estariam rondando os moradores e familiares de vítimas da tragédia em Brumadinho (MG) para cooptar clientes.

 

Nas duas últimas semanas desde o desastre, a OAB de Minas Gerais registrou três representações contra esses profissionais após acusações de atuação irregular. Os relatos ouvidos na cidade, porém, são ainda mais numerosos.

 

Conforme Carlos Schirmer, representante da OAB que acompanha a tragédia de Brumadinho, esse tipo de assédio também ocorreu quando da tragéria em Mariana, em 2015.

 

Confira abaixo a íntegra da reportagem publicada pela Folha de São Paulo:

 

A barragem de Brumadinho tinha ruído há poucos dias quando dois advogados se aproximaram de Adilson de Souza, representante dos moradores de uma das regiões atingidas, e pediram que ele recomendasse seus serviços à comunidade.

 

Foi só eles virarem as costas que Adilson rasgou o cartão de visitas, sentindo que a sugestão não caiu bem na dor do momento. "Eu não me meto nessas coisas, não", diz.

 

Dias depois, a cena se repetiu numa assembleia do bairro Parque da Cachoeira, no mesmo lugar. Sentados num ponto de ônibus na entrada, outros dois advogados discretamente entregavam cartões a famílias que se sentiram lesadas pela súbita tragédia. 

 

Além de ser condenada pelos moradores, que dizem se sentir explorados, a depender da abordagem a prática pode ser considerada captação de clientes, punida pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) com censuras e até cassação do registro do profissional. 

 

Nas duas últimas semanas desde o desastre, a OAB de Minas Gerais registrou três representações contra esses profissionais após acusações de atuação irregular. Os relatos ouvidos na cidade, porém, são ainda mais numerosos. 

 

A ordem em Belo Horizonte recebeu o caso de um advogado que teria ido a um velório coletivo de vítimas em busca de clientes —são 157 mortos e 182 desaparecidos até agora. 

 

Um anúncio no Facebook, por exemplo, anunciava: "Tragédia em Brumadinho - Garanta sua indenização", indicando o contato de advogados. Foi apagado dias depois.

 

Houve ainda um pastor que se apresentava a moradores como um advogado de fora da cidade. Um dos que pegou seu cartão, porém, foi Ronan Nogueira, presidente da OAB de Brumadinho, que registrou o caso na delegacia. 

 

"Quando eu disse que era presidente da OAB, ele ficou todo preocupado e falou que iria regularizar sua situação e depois voltaria. Antes de se retirar, fez uma oração para mim", conta. O caso está sendo analisado pelo tribunal de ética do órgão de Minas Gerais. 

 

"A atuação dos advogados é livre, o que queremos é blindar Brumadinho de espertalhões que estão se aproveitando da situação e não estão respeitando a dor dos outros." 

 

Responsável por receber essas acusações, ele diz que os advogados "urubus" vêm de outras cidades e de seis diferentes estados: Goiás (o mais citado), Mato Grosso, Distrito Federal, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro. 

 

O defensor público da União Guilherme Mattar ouviu de moradores que advogados prometeram ajudar na obtenção do repasse de R$ 100 mil anunciado pela Vale aos parentes de vítimas da tragédia. O processo não é judicial e não precisa de advogados. 

 

Representantes das defensorias públicas estadual e federal têm reforçado sua presença no município para inibir essa prática e oferecer orientação jurídica gratuita. Promotores e procuradores do Ministério Público alertam a população sobre o risco de processos judiciais conduzidos individualmente. 

 

"Nossa atuação como Ministério Público só terá força em nome de uma comunidade unida. Tudo o que a Vale mais quer é que vocês entrem com ações indenizatórias individuais", disse, em uma reunião com moradores de Parque da Cachoeira, o promotor André Sperling Prado. 

 

Após a fala, o promotor disse que não poderia desaconselhar os moradores que quisessem procurar seus advogados pessoalmente. "Mas espero que eles sejam muito bons."

 

O intenso assédio de profissionais também aconteceu com as famílias atingidas em Mariana, diz Carlos Schirmer, representante da OAB que acompanha a tragédia de Brumadinho. Até hoje, nenhuma vitima de 2015 foi reassentada ou indenizada.

 

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Edição 191 Agosto de 2019

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