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Cientistas fazem carta para estudantes levarem às escolas como justificativa em dia de greve pelo clima

G1

REPRODUÇÃO

CARTA

 

A mobilização de estudantes para a Greve Global pelo Clima, marcada para esta sexta-feira (20) em diversas partes do mundo, ganhou apoio de cientistas que estão compartilhando imagens de cartas assinadas por eles para que os jovens entreguem nas escolas para justificar a falta nas aulas.

 

A Greve pelo Clima teve origem no "Fridays For Future" (Sextas-feiras pelo Futuro, em inglês), que ganhou repercussão com a adolescente sueca de 16 anos Greta Thunberg. Desde 2018 Greta falta às aulas nas sextas-feiras para protestar pelo clima. A iniciativa rendeu a indicação ao Prêmio Nobel da Paz e fez com que diversas outras greves se espalhassem pelo mundo. No Brasil, ao menos duas mobilizações tiveram repercussão nacional, uma em março e outra em maio.

 

A ideia da carta de apoio para justificar as faltas foi do doutor climatologista Peter Gleick, membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e vencedor do Prêmio Carl Sagan de 2018 para Popularização da Ciência. Ele é contra as críticas que dizem que os estudantes deveriam ficar em sala de aula para aprender, em vez de protestarem.

 

"As crianças podem aprender muito sobre o mundo real ao experimentá-lo", afirmou o climatologista Peter Gleick, em entrevista ao G1. "Acredito que [nas manifestações] eles aprenderão lições importantes para toda a vida sobre ciência, política, engajamento cívico e responsabilidade social – e essas lições são, em última análise, mais importantes e mais valiosas do que passar mais um dia na sala de aula."

 

Apoio

A atitude ganhou repercussão e ao menos outros três especialistas fizeram o mesmo, assinando outras cartas que poderiam ser usadas em seus nomes: os climatologistas Peter Kalmus e Heather Price e o psicoterapeuta que estuda as doenças psíquicas associadas ao clima Andrew Bryant.

 

A carta original do professor Gleick (veja abaixo) foi postada em um tuíte para que o estudante copiasse, colasse e imprimisse. A cientista Heather Price usou o mesmo conteúdo e publicou a carta escrita à mão (leia acima), para que fosse impressa.

 

O conteúdo, na tradução em português, fica assim:

 

“Querido professor,

 

Por favor, me desculpe pela falta de _____________ na sexta. Eles estavam participando de um projeto especial de educação para mim (e para o resto do mundo) sobre estratégias para impedir as #mudançasclimáticas. Eles ficarão felizes em enviar um trabalho extra para compensar a falta. Obrigada, Dr. Peter Gleick [ou Heather Price, dependendo da versão], climatologista.”

 

Os outros cientistas adaptaram o teor da carta. A de Bryant, publicada em seu perfil "Climate & Mind", diz que o estudante poderá sofrer de depressão, ansiedade e falta de esperança devido a mudanças no clima. "O envolvimento em protestos e ações com seus pares poderá beneficiar a sua saúde mental e a resiliência", afirma o psicoterapeuta.

 

Já Peter Lamis fala em "momento histórico" e diz que "não há nada mais importante para os estudantes fazerem" do que participar da greve.

 

Aprender experimentando

Gleick diz que teve a ideia com base em sua própria experiência: os filhos já tiveram que faltar às aulas por longos meses, fosse por motivo de viagem ou doença, e contaram com a colaboração dos professores para que fizessem trabalhos e recuperassem os conteúdos.

 

Quando viu que algumas escolas estavam planejando punir os alunos que faltassem, Gleick pensou em fazer a carta com a justificativa, assinada por um cientista.

 

"Comecei a ver negacionistas do clima e críticos das ações desses estudantes tentando argumentar que eles deveriam permanecer na escola em vez de se manifestar, e vi alguns relatos de que algumas escolas estavam pensando em penalizar as ausências. Isso me deu a ideia de oferecer aos alunos uma carta para justificar as ausências, alegando que seus esforços eram importantes para a sociedade, mas também teriam retorno educacionais para eles", afirma Gleick.

 

Heather Price conta que dá aulas em uma universidade que os seus próprios filhos também estão entre os manifestantes que vão participar da greve na cidade de Seattle, nos Estados Unidos. "Eles me inspiraram a ser ativista", afirmou, em entrevista ao G1.

 

"Eu apoio os alunos que querem ir à greve. Também acho que está na hora dos adultos se juntarem a eles. Os jovens ainda não podem votar. Nós adultos podemos. Os adultos precisam parar de queimar combustíveis fósseis e fazer a transição para fontes renováveis ​​o mais rápido possível. Nossas crianças não podem se dar ao luxo de queimar nem metade dos combustíveis fósseis conhecidos, se quisermos alguma chance de limitar o aquecimento global a um aumento de 1,5 ° C, recomendado pelos cientistas", diz, referindo-se à recomendação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).


Fonte: Notícia Max

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