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Sábado, 13 de Abril de 2019, 13h:00
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INTERNACIONAL
PRESIDENTE DEPOSTO Twitter

Ativistas sudaneses denunciam repressão e mortes após queda de Omar al-Bashir

Por: G1

DCB

 

Ativistas afirmaram neste sábado (13) que 16 pessoas foram mortas no Sudão nos últimos dois dias, desde que militares forçaram o presidente Omar al-Bashir a deixar o poder. Al-Bashir, que comandou o país por 30 anos, foi deposto após quatro meses de protestos, porém a mobilização popular no país não se dissipou.

 

O Comitê de Médicos do Sudão disse que 13 pessoas foram mortas a tiros na quinta-feira (11) e que outras três, incluindo o soldado, foram mortas na sexta-feira (12) "nas mãos das forças do regime e de suas milícias sombrias". O comitê é afiliado à Associação de Profissionais do país, que liderou os protestos populares dos últimos meses.

 

Segundo a polícia, 16 pessoas foram mortas por "balas perdidas" e pelo menos 20 ficaram feridas em comícios e protestos em todo o país. Face à violenta repressão do movimento de protesto no país, o diretor do serviço de inteligência do Sudão (NISS), Salah Gosh, pediu demissão neste sábado.

 

Mobilização continua

Sob pressão popular, o ministro da Defesa e chefe da junta militar, general Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf, deixou o cargo na sexta-feira e foi substituído pelo general Abdel Fattah al-Burhan Abdulrahman.

 

Os sudaneses continuam mobilizados e pedem que o poder seja assumido por um civil. Neste sábado, já sob novo comando, a junta militar afirmou que o governo civil será formado após consultas e que os militares ficarão no poder por no máximo até dois anos.

 

Abdulrahman prometeu julgar os responsáveis pelas mortes e anunciou que toque de recolher também foi suspenso.

 

Desilusão

CXD

 

Na quinta-feira, a queda do ditador foi celebrada pelos manifestantes, mas as primeiras medidas tomadas pela junta logo levantaram o temor de que o antigo regime tenha sido substituído por uma nova ditadura militar e que a queda de al-Bashir não tenha passado de uma disputa interna pelo poder.

 

Após chegar ao poder, os militares suspenderam a constituição e impuseram um toque de recolher no país entre 22h e 4h, com duração de um mês.

 

A junta militar também decidiu não entregar al-Bashir, que está preso, ao Tribunal Penal Internacional (TPI). O ex-ditador é acusado de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade no conflito armado da região de Darfur.

 

Os integrantes da junta militar são vistos pelos manifestantes como os "mesmos velhos rostos" do antigo regime.

 

Awad Ibn Auf, por exemplo, era chefe do setor de inteligência do Exército durante o conflito de Darfur nos anos 2000, que provocou a morte de 300 mil pessoas no sul do país. Em janeiro, ele havia assumido o posto de primeiro vice-presidente do país (a estrutura política prevê dois ocupantes para o cargo de vice, cada um de uma região diferente do Sudão).

 

Mandados de prisão por genocídio

 

Bashir chegou ao poder no Sudão em 1989 com um golpe de estado apoiado por militantes islâmicos.

 

Ele é alvo de dois mandados internacionais de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, emitidos pelo Tribunal Penal Internacional, em Haia, por causa de crimes cometidos no Darfur, de acordo com a Deutsche Welle.

 

Nessa região do oeste sudanês, 300 mil pessoas foram mortas desde 2003, segundo contagem das Nações Unidas, em um conflito que opõe o governo e milícias árabes, de um lado, e rebeldes não árabes separatistas, do outro.

 

As manifestações contra Bashir foram motivadas pela forte crise econômica que afeta o país há anos – principalmente depois da secessão do Sudão do Sul, em 2011. O Sudão é um dos 25 países mais pobres do mundo, com uma população de 41 milhões de pessoas.

 

Até a independência do Sudão do Sul, a economia era fortemente dependente do petróleo, que era responsável por 95% das exportações e metade da arrecadação do governo. Em 2001, o Sudão perdeu a maior parte dos campos petrolíferos, que ficaram com o Sudão do Sul.

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Edição 174 Abril de 2019

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