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Terça-Feira, 10 de Setembro de 2019, 14h:36
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INTERNACIONAL
PRESIDENTE Twitter

Trump demite John Bolton, conselheiro de segurança nacional

Por: G1

Peter Nicholls/

JOHN

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu nesta terça-feira (10) o conselheiro nacional de segurança, John Bolton. Ele foi o terceiro a ocupar o cargo durante a presidência de Trump, e assumiu o posto em março do ano passado.

 

O motivo da demissão foram "discordâncias fundamentais" sobre como lidar com políticas externas em relação ao Irã, Coreia do Norte e Afeganistão, segundo o jornal "The New York Times". (Veja mais abaixo).

 

Em novembro de 2018, Bolton visitou o Brasil e se reuniu com Jair Bolsonaro. Ele foi o primeiro emissário do governo Trump a visitar o então presidente eleito.

 

Trump anunciou a demissão de Bolton no Twitter:

 

"Eu informei a John Bolton ontem à noite que os serviços dele não são mais necessários na Casa Branca. Eu discordei veementemente com muitas das sugestões dele, assim como outros [o fizeram] na administração, e, assim... eu pedi a John sua carta de demissão, que me foi entregue nesta manhã. Eu agradeço muito a John pelo seu trabalho. Irei nomear um novo Conselheiro de Segurança Nacional na semana que vem", escreveu o presidente americano.

 

Desavenças

 

As tentativas do governo Trump de buscar aberturas diplomáticas com inimigos dos EUA, como o Irã e a Coreia do Norte, desagradam funcionários como Bolton - que não confiava nos dois países, diz o "New York Times".

 

A tensão entre os dois foi agravada nos últimos meses pelas decisões de Trump de suspender um ataque aéreo ao Irã - planejado em retaliação à derrubada de um drone americano - e de se encontrar com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, na Zona Desmilitarizada, além de atravessar a fronteira entre as duas Coreias.

 

Além disso, o presidente americano continua a dialogar com o líder da Coreia do Norte apesar da recusa dele em renunciar ao seu programa nuclear - e dos repetidos testes com mísseis de curto alcance.

 

Trump também manifestou vontade de se encontrar com o presidente Hassan Rouhani, do Irã, e até de estender financiamento a curto prazo a Teerã. A oferta, entretanto, foi rejeitada.

 

Apoiadores de Bolton afirmam, segundo o jornal americano, que o agora ex-conselheiro seria a pessoa capaz de frear o que temiam ser uma diplomacia ingênua - que Bolton seria capaz de evitar estragos no mandato de um presidente sem experiência em política externa.

Trump, entretanto, reclama há muito tempo, em particular, que Bolton estava disposto a levar os Estados Unidos a outra guerra.

 

Visita ao Brasil

 

Bolton visitou o Brasil em novembro do ano passado. Ele se encontrou com o então presidente eleito Jair Bolsonaro na casa dele, no Rio de Janeiro.

 

No encontro com Bolton foram discutidos assuntos como o comércio entre os dois países, a situação da Venezuela, relações comerciais com a China e segurança.

 

Na ocasião, John Bolton elogiou a eleição de Bolsonaro e disse que o fato era um sinal positivo para a América Latina.

 

Em fevereiro deste ano, Bolton também se encontrou com o ministro de Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, em Washington.

 

Belicista

 

Dono de frases polêmicas e de uma fama de belicista e nacionalista, John Bolton já foi embaixador temporário dos Estados Unidos na ONU e figura-chave da Guerra do Iraque.

 

O cargo na ONU ele abandonou quando percebeu que não teria sua nomeação aprovada pelo Senado americano, como informa a rede BBC.

 

Há décadas ele é uma figura proeminente em política externa no círculo republicano, tendo participado dos governos de Ronald Reagan, George Bush e George W. Bush.

 

A maioria dos postos que ocupou estavam nos departamentos de Justiça e de Estado - o equivalente americano ao Ministério de Relações Exteriores.

 

Bolton é um defensor do "poder americano" e do fortalecimento das fronteiras. Ele já defendeu atacar a Coreia do Norte e o Irã.

Ele defendeu bombardeios americanos contra os iranianos em 2008 e em 2015, enquanto o então presidente Barack Obama costurava um acordo de paz entre os dois países – depois desfeito por Trump.

 

Durante a Assembleia Geral da ONU de 2018, em Nova York, Bolton ameaçou o governo do Aiatolá Ali Khamenei sobre "sérias consequências" caso o país desafiasse os EUA – fala descrita como a mais agressiva da diplomacia americana contra o Irã "em décadas".

 

Invasão do Iraque

 

No último governo Bush, ele ajudou a convencer a comunidade internacional da teoria de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa no Iraque. Posteriormente foi comprovado que o regime do então líder iraquiano não tinha esse tipo de armamento.

 

Ainda para invadir o Iraque, Bolton pressionou pela demissão do brasileiro José Bustani, que era presidente da agência das Nações Unidas responsável por monitorar a existência de armas químicas. Na época, o novo conselheiro de Trump era subsecretário de Estado do governo George W. Bush.

 

José Bustani queria enviar especialistas ao Iraque antes da invasão dos EUA para verificar se, de fato, Saddam possuía armas de destruição em massa, como alegavam os americanos.

 

O brasileiro afirma, segundo informações da rede britânica BBC, que recebeu um telefonema "ameaçador" de Bolton, na ocasião. Pouco depois, Bustani foi demitido do cargo com o voto de um terço dos países-membros da ONU.

 

Posteriormente, a mais alta corte administrativa das Nações Unidas condenou a votação, promovida pelos EUA, como uma "violação inaceitável" dos princípios destinados a proteger funcionários civis.

 

Lobby de armas

 

Bolton é ainda um forte defensor do direito ao porte de armas por cidadãos comuns. Ele é ligado à Associação Nacional do Rifle (NRA) principal grupo de lobby pró-armas dos EUA, organização em que comandou o subcomitê de Assuntos Internacionais em 2011.

 

No primeiro semestre deste ano, após assumir o cargo no governo Trump, um vídeo gravado em 2013 veio à tona e ganhou manchetes nos EUA. No filme, patrocinado pela NRA, Bolton pede que a Rússia garanta o porte de armas em sua Constituição, como acontece nos EUA.

 

"Isso criaria uma parceria entre o governo nacional russo e seus cidadãos, que poderiam proteger melhor mães, crianças e famílias sem comprometer a integridade do Estado russo", afirmou.

 

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Edição 196 Setembro de 2019

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