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Terça-Feira, 17 de Abril de 2018, 08h:44
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AQUI NO NOSSO ESTADO

O nascimento da besta

Por: Ana Poncinelli

Reprodução

Ana Poncinelli

 

Estamos tendo a triste oportunidade de acompanhar, aqui em nosso estado, o nascimento do que se pode chamar de “besta política”. No rastro do “besta-pai” Bolsonaro, a ex-juíza Selma Arruda, demonstrando desequilíbrio, falta de senso de ridículo, vem ganhando as páginas dos jornais com declarações tão bizarras quanto foram seus julgamentos parciais.

 

No momento em que vivemos, uma pessoa de bom senso, decente, honesta, não faria apologia à violência no campo, que dirá uma ex-magistrada. O eleitor quer propostas, alguém que tenha noção de políticas públicas. A sociedade precisa de paz, de compreensão, de cooperação.

 

Uma entrevista concedida pela senhora Selma Arruda (juíza aposentada), causa espanto e asco só pela chamada de apresentação: ”O cidadão tem o direito de receber à bala uma invasão do MST”. Esta senhora, ex-magistrada, incitando à violência, em um país que passa por momento extremamente difícil e complexo para combater e diminuir a violência! Os índices de homicídios no Brasil, de tão alarmantes, se parecem com os de uma guerra civil.

 

A primeira pergunta que me vem à cabeça é a seguinte: com que credencial a senhora Selma Arruda se aposenta e cogita concorrer a um cargo político?

 

Resposta fácil e evidente: foi se promovendo enquanto julgava personagens políticos, conhecidos no estado de MT, envolvidos em casos de corrupção.

 

Ao fazer o seu trabalho, no qual era muito bem remunerada (diga-se de passagem), a credencia a concorrer ao cargo? Ao buscar, de forma obsessiva, os holofotes e ao se manifestar fora dos autos, não teria sido ela antiética? Já havia lá atrás, a forte suspeita de que ela estava usando o cargo para se promover com esta finalidade, a de se candidatar. Uma postura totalmente reprovável para um magistrado.

 

Havia também vários questionamentos quanto a sua parcialidade.

 

Vamos a um fato recém divulgado. A então juíza Selma Arruda, negou compartilhar provas com a Procuradoria Geral da República, da ação Grão Vizir, para excluir o governador Pedro Taques, argumentando que não encontrava “indícios robustos” da participação desse senhor na referida ação. Indícios são indícios. Adjetivar para justificar seu parecer foi um subterfugio muito sem vergonha.

 

Ao terminar de ler a sua entrevista que me causou tamanho espanto, não pude deixar de me manifestar.

 

Não podemos deixar uma pessoa com a mentalidade desta senhora a vontade para disputar um cargo ao Senado da República, demonstrando um nível tão baixo de conhecimento de políticas públicas, das causas da violência no campo ao ponto de apresentar uma solução tão rasteira com esta. Voltamos ao tempo do Código de Hamurabi, do olho por olho, dente por dente. Como ex-juíza, ela devia saber que a ciência jurídica evoluiu muito desde a Antiguidade. Atualmente, os julgamentos procuram uma visão humanista, pautados por resguardar os diretos da pessoa humana. Para combater a violência, mais violência? Desvario insano!

 

O momento político no Brasil, no qual as mulheres são chamadas a participar da vida pública, não posso, como mulher, servidora pública e mãe de família, ficar calada diante de declarações tão estapafúrdias como estas. Uma mulher com ideologia machista, retrógrada, vulgar, não pode ser representante do estado de Mato Grosso no Senado. Disse que tomou a decisão de se candidatar pensando exclusivamente em sua família. Qual a ideia de coletividade tem esta senhora? Legislar defendendo a desburocratização do porte de arma? Simplista, desconectada da realidade, baixíssima capacidade intelectual, baixíssima capacidade de analisar o contexto socioeconômico do país e do estado. Não menciona qual política de educação vai defender, o que pensa do peso dos tributos para a população, não diz nada de como vai melhorar a distribuição de renda, pura e simplesmente por que não tem a menor ideia.

 

Seria interessante para a referida senhora voltar para o banco da escola e aprofundar nos estudos das questões históricas e sociais do país, antes de sair por ai destilando ódio e asneiras, para, quem sabe, no futuro, se credenciar a concorrer a um cargo eletivo e estar à altura do povo de Mato Grosso.

 

Outra declaração escabrosa, para uma ex-juíza, foi dizer que desacredita de seu antigo ofício de resolver conflitos por meio da justiça, dizendo ter se sentido ineficiente com suas decisões; eu, só posso concluir que o problema está mais na incompetência da senhora Selma ao exercer pifiamente seu trabalho. Que espécie de heroína pensava ela ser? Muita arrogância e pretensão. Se ela não se sentiu capaz de contribuir para a sociedade como juíza, vai contribuir como senadora?

 

Na linha da falácia e da demagogia, partiu para ofensas contra o ex-governador Jaime Campos, possível adversário seu e, parcial como sempre, poupou o atual governador Pedro Taques. Disse que Jaime Campos pratica a velha política, mas para nós a velha política é o discurso do ódio, do preconceito, da falta de respeito. A velha política é usar do cargo que ocupa para se promover. A velha política é tentar desqualificar o adversário ao invés de apresentar propostas concretas. Velha política é tentar resgatar o coronelismo, quando tudo era resolvido à bala, conforme ela fez apologia em sua entrevista.

 

Diante de tamanho absurdo, não consegui ficar calada. Quero, de tão indignada, com as ideias desta senhora aposentada, propor meu nome para concorrer ao Senado Federal como contraponto a tamanho disparate. Não aceito uma possível representante mulher defendendo posições tão indignas para resolver problemas tão graves do país e do estado.

 

E mais, desafio a senhora Selma Arruda a um debate público sobre qualquer assunto, principalmente, no que diz respeito a função de um parlamentar e a políticas públicas em geral.

 

“A cadela do fascismo está sempre no cio”, Bertolt Brecht.

 

Ana Poncinelli, psicóloga, gestora governamental, mestre em Teoria da Literatura.

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Comentários

Jose 19/04/2018 23h04

Duas velhinhas batendo boca por causa de um milionário via-política e um grampolândio.

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