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Terça-Feira, 05 de Junho de 2018, 11h:23
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"JUSTA HOMENAGEM"

O teatro do absurdo

Por: ANA PONCINELLI

Como cidadã, eu escrevi, recentemente, denunciando a farsa que é a ex-juíza Selma Arruda, com o seu discurso oportunista, preconceituoso, homofóbico e excludente. Como funcionária pública, escrevi fazendo uma justa homenagem àquele que foi um dos maiores governadores dos últimos tempos, Dante de Oliveira. Agora, como mãe, como cidadã e como funcionária pública, não poderia deixar de vir a público para manifestar toda a minha indignação ou até mesmo “nojo" em relação a atitude do Tribunal de Contas do Estado. 

 

Qualquer pessoa com um mínimo de capacidade de raciocínio lógico vai ver que essa decisão do TCE, negando um direito básico, fundamental e, acima de tudo, legítimo do servidor - que é a RGA - faz parte de uma trama arquitetada pelo senhor governador Pedro Taques. 

 

Começo pelo afastamento, há alguns meses já, dos cinco Conselheiros do TCE, um descompasso tão grande e sem sentido que faz Samuel Beckett e Albert Camus, mestres do teatro do absurdo, parecerem neófitos. Se não fosse trágico, seria cômico e entraria para a galeria dos clássicos do cinema “nonsense”. 

 

Vamos ao roteiro dessa chanchada sem sentido e exdrúxula. 

 

Primeira Parte - O Conselheiro Antônio Joaquim anuncia que é candidato ao governo e concorreria contra o atual governador Pedro Taques. Logo, por ser citado, juntamente com os demais Conselheiros, em uma delação premiada, sem materialidade, o Ministério Público Federal, numa destreza sem precedentes, usando de pesos e medidas diferentes, pede o afastamento de todos os citados, incluindo o do possível adversário do atual governador, o senhor Antônio Joaquim Rodrigues. 

 

Segunda Parte - O afastamento dos cinco Conselheiros já foi algo que causou repulsa a qualquer operador do Direito, pela falta de substância. E, como se já não bastasse, na sequência desse ato torto, é negada a aposentadoria ao “possível adversário do senhor governador Pedro Taques, Conselheiro Antônio Joaquim”. A justificativa da Procuradora, ao negar o direito fundamental a qualquer servidor, é tão descabida de qualquer bom senso e de senso de justiça, que nem Salvador Dali, no ápice de sua loucura conseguiria materializar tamanho oximoro. Qual seria os impedimentos, para as investigações, se o Conselheiro Antônio Joaquim estivesse aposentado? Afastado definitivamente de seu cargo, por força da aposentadoria, sem a expectativa de retornar ao cargo, sua influência não seria menor? Elementar meu caro Watson!

 

Terceira Parte - Ainda lembrando Sir Arthur Conan Doyle, criador do famoso detetive Sherlock Holmes, eu diria que é “elementar” também, um possível acordo entre o governador e os atuais Conselheiros substitutos. Todas as pistas indicam esta possibilidade. Se me perguntarem qual é a fonte da qual eu bebi para chegar a essa conclusão - de que há um acordo entre o governo e o TCE - eu diria que é a matemática simples a fonte. Ou melhor dizendo, basta somar um mais um que o resultado é dois. Como estamos falando no campo do absurdo, do surrealismo, do cinema nonsense, nós poderíamos dizer o seguinte: era uma vez, um governador que se comprometeu a usar toda a sua influência junto ao Ministério Público e ao Judiciário para manter afastados os cinco Conselheiros titulares e, assim, os substitutos ficariam na função dos mesmos "ad eternun”. Para isso, bastaria que esses substitutos cuspissem na cara de seus colegas funcionários públicos e demonstrassem e expusessem toda a sua ganância, atropelando até mesmo o poder ao qual é atrelado, que é a Assembleia Legislativa. Não é preciso ser gênio para saber que todo reserva almeja a vaga do titular. E também não precisa ter o Q.I. muito elevado para saber que pelo poder algumas pessoas são capazes de matar a própria mãe. Ainda pequena, já ouvia nos contos de fadas, o que a bruxa era capaz de fazer para alcançar seus objetivos sinistros. 

 

Parte Final - "A farsa das farsas". Diz um velho ditado que ninguém tropeça numa montanha, nós só tropeçamos em pedregulhos. Como se não bastasse todas essas artimanhas, que prejudicou milhares de pessoas, além dos cinco Conselheiros afastados, pura e simplesmente para eliminar um concorrente eleitoral, eis que agora vem a cereja do bolo desta trama: que é a tal das notas promissórias que foram encontradas, escondidas atrás de uma cortina, pela assistente da Conselheira substituta, no gabinete do Conselheiro Novelli. Esse fato, não atenta só contra nossa inteligência. Mais uma vez eu digo que se não fosse trágico seria cômico. Ora, convenhamos, a Polícia Federal com toda a sua técnica e experiência de encontrar dinheiro escondido dentro de paredes, não encontrou nada. Entretanto, a assessora, veja bem, assessora, não foi a faxineira e muito menos o mordomo, mas a assessora , num ato de desapego, inspirada em fazer uma boa ação, resolveu fazer uma faxina e tchan, tchan, tchan, eis que ela acha um envelope, com duas notas promissórias que incriminam o Conselheiro Novelli. Os substitutos entregaram o produto, que foi a decisão de não pagar a RGA dos funcionários. Em contrapartida, do nada, eis que caí do céu um envelope, com notas promissórias que incrimina e corrobora com a delação premiada. 

 

A vida imita a arte, a arte imita a vida. No campo da imaginação, da criatividade podemos abusar da dramatização, do surrealismo, do realismo fantástico, do nonsense, mas não na vida real. Prejudicar pessoas honradas e retirar direitos dos servidores públicos, que trabalham com imensa dedicação, não podemos aceitar. 

 

Por todo o exposto aqui, conclamo todos os servidores a se reunirem em frente ao TCE para manifestar total repúdio a esta farsa mambembe que está nos sendo imposta goela abaixo, como se estivessem defendo um valor inestimável - que é o equilíbrio das contas públicas - , mas que, na verdade, é apenas um jogo desleal e baixo com os servidores, que estão sendo usados como moeda de troca nessa negociata espúria.

 

Temos que combater essa traição dos Conselheiros substitutos, que também são servidores e estão apunhalando a própria classe pelas costas, fazendo o jogo do poder e confabulando com o governador. Vamos acabar com essa trama diabólica, no pior estilo Alfred Hitchcock!

 

Ana Poncinelli, psicóloga, gestora governamental, acadêmica de Direto e Mestre em Teoria Literária.

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