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Segunda-Feira, 13 de Janeiro de 2020, 09h:49
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GONÇALO DE BARROS
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Paz e amor

 

Com o lema acima, a comunidade hippie se expandiu mundialmente na década de 60.

 

O movimento foi antecedido pela conhecida Geração Beat, os ‘beatniks’, com comportamentos que viriam a ser copiados futuramente, tendo, inclusive, John Lennon como um dos precursores, especialmente ao criar a banda The Beatles, dando voz à essa gente que sabe amar e viver em paz.

 

Discorrer sobre eles e elas é mensurar a não violência. Politicamente, constituíam um movimento por direitos civis e igualdade, como defendido por Gandhi e Martin Luther King, ressalvadas as devidas proporções.

 

A informalidade é a tônica numa vida em coletividade e com considerável produção artesanal. Os cabelos e barbas compridas para os homens representam a contracultura própria do movimento, ficando como marca, símbolo.

 

A Guerra do Vietnã foi alvo de muitos protestos dos hippies, também como símbolo de luta em busca de paz. Grande parte deles e delas se formaram originariamente de soldados que voltavam ‘do fronte’ e tiveram contatos com indianos e a cultura e filosofia oriental, protestando contra o estilo de vida do Ocidente.

 

Passaram a usar roupas velhas e surradas em oposição ao consumismo, bem como estilos nada comuns para a época. Inclusive, vem dos hippies algumas modas, tais como as famosas calças bocas-de-sino e rejeição a produtos industrializados, optando-se pelos artesanais e orgânicos.

 

Quanto à vida em comunidade, fica de lado qualquer menção ao mundo capitalista, como a exploração de uns em detrimento de outros. Todos e todas exercem algo, com decisões tomadas conjuntamente, praticando a pequena agricultura de subsistência, sendo o escambo comunitário.  

 

No Litoral Norte baiano, Distrito de Camaçari, em Arembepe, se situa uma das últimas comunidades hippies do mundo, que teve o seu auge nos idos de 70. Com cabanas rústicas confeccionadas de pedras, garrafas, taipa e outros materiais recicláveis, vivem na atualidade aproximadamente 30 famílias.  Para que a formalidade fique bem distante, são conhecidos apenas pelo primeiro nome de batismo. Fazem do artesanato muito mais que meio de vida, mas, sim, terapia para desenvolver a autoconfiança e as potencialidades.

 

A Aldeia Hippie de Arembepe proporciona aos visitantes as mais diversas reflexões. Não há entre eles e elas qualquer forma de competição, porquanto, elogiam com frequência o trabalho uns dos outros. São incapazes de buscar lucro exacerbado com o artesanato, ficando mais felizes com os ‘consumidores e consumidoras’ a elogiar a arte.

 

Vida distante de prazeres materiais e repúdio à ganância e à falsidade fazem parte desse modo de viver. Estar na Aldeia Hippie e estabelecer um diálogo com o século 21, tão midiático e globalizado, é deixar aflorar a sensibilidade do local.

 

Ali fiz um amigo, OZi, abreviação de Oziel. Após dialogar com ele, ao lado da minha família, sobre os motivos da opção de vida que tomou, também sobre política e música, percebi a grandiosidade daquela alma, encantadora, por sinal.

 

Ao despedir, tirou um bracelete que empunhava em um dos braços e colocou no meu pulso esquerdo: irmão, meu nome é OZi e o seu? Saíto é um nome da hora e gargalhou muito; aliás, juntos demos risadas. 

 

A liberdade, OZi, a liberdade; foi ao encontro dela que você correu (...). Disse-lhe e me despedi, abraçando-o.

 

É por aí...

 

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO (Saíto) é formado em Filosofia e Direito pela UFMT.

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Edição 211 Janeiro de 2020

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