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Quinta-Feira, 17 de Agosto de 2017, 15h:47
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Em defesa da saúde mental

Por: Juacy da Silva

juacy da silva

Juacy da Silva

Na véspera do dia dos pais um empresário assassinou a esposa em Recife e depois se suicidou. No dia dos pais, um agente penitenciário, matou a esposa, a filha de 18 anos que hora antes havia “postado” uma homenagem ao pai e , em seguida  também cometeu suicídio, em uma pequena cidade do interior de São Paulo.

No mesmo final de semana, mais uma tragédia, um soldado da polícia militar  de Minas Gerais  matou a namorada,que também era miliatar, depois matou a mãe da namorada,  foi para outra cidade próxima,  tirou a vida da própria mãe e, a seguir, também se suicidou.

Em 2015, conforme dados da OMS  Organizaçào Mundial da Saúde 788 mil pessoas cometeram suicídio, número muito maior do que as mortes ocorridas em todos os conflitos armados ao redor do mundo naquele mesmo ano.

No Brasil a taxa  de suicídio, entre 1980 e 2012, aumentou em  62,5%  e continua aumentando de forma acelerada.  Em  2015 ocorreram 11.680 suicídios, uma média de quase  mil suicídio por mes. A taxa de suicídio em geral no Brasil em 2012 era de 5,64 por cem mil habitantes, sendo muito maior na faixa etária de 15 a 29  anos, chegando a ser  a segunda causa de morte nesta faixa etária, perdendo apenas para os assassinatos.

Recentemente, em fevereiro deste ano de 2017,  a OMS  também veiculou um relatório sobre a saúde mental no mundo, com destaque para a depressão e ansiedade.  Os dados são muito alarmantes no mundo todo e principalmente no Brasil, que está na ponta desta triste estatística. Existe  uma relação muito grande entre depressão,ansiedade e suicídio, cujo agravamento também está presente em momentos de crise econômica, financeira, familiar e doméstica.

A depressão afeta 4,4% da populaçào mundial e 5,8% da populaçào brasileira, atingindo, 322  milhões de pessoas no mundo e 11,5 milhões no Brasil.  Sendo que a ansiedade atinge 3,6% da população mundial e  9,3% da população brasileira, respectivaente, 264 milhòes no mundo e 18,6%  no Brasil.

Em 2015 nada menos do que 30,1 milhòes de pessoas sofriam com depressão e ansiedade em nosso pais, a grande maioria pertencente as camadas mais excluidas da sociedade  , sem condiçòes de tratamento, principalmente devido ao sucaeamento e o caos da saúde pública brasileira; caos e descaso esses que tem se agravado ultimaente com os cortes de recursos determinados pelo governo federal e pela crise econômica, financeira, fiscal e orçamentária que estao levando os estados e municípios a falência institucional.

Imaginemos o que ocorre na cabeca 14 milhões de pessoas desempregadas,mais 20 milhões de subempregadas,mais 60 milhões que estao endividadas  sem condições de pagamento de suas dívidas e, na maior parte das vezes, não tendo dinheiro sequer para  comprar alimentos para suas familias.

Enquanto isso  os mrajás da República, nos tres poderes se locupletam com salários nababescos,regalias, privilégios,mordomias enquanto milhões  passam fome e mais de 4,3  milhões retornam a condiçao de pobreza ou até de pobreza extrema.

Antes que milhões de brasileiros morram de fome, sofram de depressão , ansiedade ou que os índices de suicídios sejam transformados em mais uma grande tragédia nacional, precisamos lutar para que a saúde pública seja tratada pelos nossos governantes com respeito e seriedade e, neste particular,a defesa da saúde mental é uma condição de sobrevivência de milhões de pessoas.

Lembre-se, SAÚDE MENTAL é coisa séria e importante e não pode ser relegada a um segundo plano, cabe ao SUS garantir este direito aos brasileiros, principalmente  para  as camadas mais pobres da sociedade, que não tem recursos financeiros para custearem este tipo de tratamento complexo  e as vezes longo, isto também é  atenção basica, para que a Constituição Federal, tão desrespeitada , rasgada e vilipendiada ultimamente, possa deixar de ser mera letra morta.

Se saúde é um direito fundamental da população, cabe aos nossos governantes garantirem que este direito seja respeitado e não apenas os privilégios e mordomias que as elites desfrutam custeadas pelos contribuintes.

 

JUACY DA SILVA,  professor universitário, titular e aposentado UFMT,  mestre  em sociologia, articulista e colaborador de jornais, sites e blogs.

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