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Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019, 13h:45
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LÚH PEREIRA
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O que é o sentimento de derrota?

Reprodução

 

Sentimento que acaba com seu dia, sua noite e sua perspectiva de vida. Esse sentimento afeta nosso cérebro diretamente e indiretamente tudo que está a nossa volta. Queremos colocar defeito em tudo e todos. Afinal de contas, alguém tem que levar a culpa pelo nosso fracasso emocional.

 

Nosso cérebro tem o poder de nos conduzir a felicidade ou a dor que vamos consumir durante o dia. Tem dias que parece que o fracasso que ocorreu durante o dia foi pouco e isso se estende pela noite, fazendo com que tenhamos dores musculares, de cabeça e o pior delas, dor na alma. Porque essa é a pior dor que podemos sentir diante dessa consequência.

 

Essa dor não tem remédios nem drogas que cura. A dor da solidão, do vazio por algo que perdemos ou de algum amor mal correspondido, pode nos levar até a morte. Depressão é considerada a doença do século. Porém, quem tem o direito de ter depressão? Infelizmente essa é a doença taxada “de rico”, onde os pobres não podem sequer serem respeitados por estar nessa situação. 

 

Quando um rico ou famoso faz algo errado devido a consequência de uma depressão, todos ficam com “dosinha”, alguns até fazem corrente de oração só para verem seus ídolos fazendo seus trabalhos de praxe nas TVs ou palcos por aí. Já quando é um anônimo, na maioria das vezes nem a própria família apóia.

 

Tive depressão e não me envergonho em dizer que até suicídio pensei em cometer por várias vezes. Tenho uma família enorme composta por eu e mais sete irmãos. Pais casados e moravam na mesma cidade que eu. Eu era casada e mãe de três maravilhosos filhos. Durante dezoito anos e meio fiquei nesse casamento, nele aprendi muitas coisas. Aprendi ser mulher, dona de casa, mãe, esposa, nora e por aí vai. 

 

Aprendi também colocar minha família acima de tudo. Até de meus próprios desejos e sentimentos. Isso me fez desenvolver a maldita depressão. Tentar passar uma vida que não nos deixa feliz, não nos leva a lugar nenhum, aliás, pode sim nos levar a morte se não formos fortes o suficiente para querer nossa mudança.

 

Ninguém pode nos ajudar diante dessa situação a não ser Deus e nós mesmas. O sentimento de fracasso por ter deixado tudo e começar do zero sempre nos cerca quando temos qualquer dificuldade, porém isso é normal. Não deveria ser, mas infelizmente é. Bom, continuando meu quadro avaliativo, é claro que minha depressão não foi só por consequências do meu casamento. Me casei muito nova e fui mãe até mesmo antes de uma formação acadêmica. Só para deixar bem claro, meu sonho sempre foi ter uma profissão e depois me casar. Mas meu pai praticamente me obrigou a me casar quando comecei um namoro por acidente quando tinha meus quinze anos. Não tive ao menos o direito de escolher ou me apaixonar por alguém na época. 

 

Sempre quando vejo algum (a) jovem se envolver com alguém eu tento deixar bem claro a eles que a melhor coisa no momento é os estudos e uma profissão em primeiro lugar. Porque tudo passa, e o que a gente busca para nosso conhecimento nos trará um retorno pelo resto da vida, isso só depende de nós mesmos. Então garotada, adolescentes, escolham viver independente primeiro, o casamento virá depois e não terão do que se arrependerem mais tarde por terem feito escolhas antecipadas na vida. 

 

No auge de minha doença, na cidade onde eu morava, fui muito julgada pelas minhas atitudes. E acreditem, a pessoa que mais me julgava era eu mesma. Me julgava por não ter minha família próximo, por não receber visitas deles e ao menos um abraço dos irmãos os quais eu sempre almejei receber. 

 

Todos moravam na minha cidade, com exceção de uma irmã que morava na cidade vizinha. Mas ela sempre estava na casa de meus pais, só esquecia de me visitar. Durante meses eu fiquei sem trabalho por causa da doença, isso fazia com que eu ficasse presa em casa e com efeito de remédios, deitada praticamente o dia todo, só saia da cama para ir para a faculdade a noite. 

 

Curso que finalizei com a graça de Deus. Por questões psicológicas, esquecia dos conteúdos que lia e explicações dos professores após uns cinco minutos. Resolvi a gravar todas as explicações para ouvir depois e não precisar expor para eles minha dificuldade. 

 

No mês de julho de 2018 resolvi colocar um fim no meu casamento e sair de casa.Como meu ex não queria sair nem separar, eu vinha pedindo separação há cinco anos sem sucesso no meu pedido, resolvi sair e deixar quase tudo para trás para tentar começar do zero e ser feliz comigo mesma. 

 

Pela dificuldade que enfrentava com minha família eu já havia decidido sair daquela cidade assim que concluísse meu curso. E assim foi, esse ano (2019), resolvi fazer uma loucura e acreditar em mim mesma de que eu seria capaz de viver e vencer longe deles. Vim para capital do MT e aqui enfrento um leão a cada dia para pagar minhas contas e sobreviver.

 

Conheço poucas pessoas aqui, porém tento mostrar meu trabalho e dignidade a todos em busca de uma oportunidade de trabalho. Várias são as ofertas para a famosa vida fácil, mas com fé em Deus meus filhos nunca terão que se envergonhar pelas escolhas que eu poderia ter feito em questão a isso. 

 

Meu canudo nunca irá me impedir de trabalhar e ter meu dinheiro adquirido com honestidade. Aqui em Cuiabá eu já enfrentei alguns trabalhos onde eu nunca pensava em fazer, porém foi preciso e me orgulho de não depender de dinheiro fácil que me ofertaram por aí no intuito de aproveitarem do meu corpo. Na real, acho que se fosse para ganhar dinheiro com meu corpo não teria ralado tanto em trabalhos e mais trabalhos e ficado durante quatro anos ouvindo professores em uma sala de aula para adquirir conhecimento naquilo que escolhi fazer na vida. 

 

Jornalismo foi meu sonho porque sempre gostei de me relacionar com o público. Comunicação Social está no meu sangue. Trabalhar com rádio e tv sempre foi meu maior foco. Pena que aqui na capital está muito difícil abrir uma porta para que eu possa exercer minha função. 

 

Mas a fé que eu tenho em Deus é o que me fortalece a cada manhã nesse lugar. Viver com a ausência de meus três filhos está me corroendo o peito a cada dia que passa e eu não consigo me estabilizar aqui rápido para traze lós logo. Mas acredito que deve ser algum processo em minha vida e que em breve terei os três ao meu lado novamente e poderemos ser felizes novamente.

 

Sou a Lúh Pereira, 36 anos, essa é uma pequena parte de minha história de vida.

 

Lúh Pereira é jornalista

 

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