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Sábado, 09 de Novembro de 2019, 09h:00
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RENATO GOMES NERY
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Os filhos da puta

Por: RENATO GOMES NERY

Renato Gomes Nery

 

O Brasil registrou, em média, 135 estupros por dia no ano passado. Foram 49.497 casos no total, 4,3% a mais que no ano anterior, segundo dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Aliados a 4.657 mulheres assassinadas que corresponde a 12 assassinatos de mulheres por dia, sendo que 533 delas foram classificados como feminicídio pelo simples fato da condição de ser mulher. Estes dados são do Jornal Folha de São Paulo de 02.11.2019.

 

A constatação acima é alarmante e demonstra um total e completo desapreço e desprezo pelas mulheres no Brasil. Será que existe uma explicação para este fato? Não sou especialista no assunto, mas como cidadão e articulista de ocasião, me vejo na contingência de dar um pitaco nesta inquietante questão. 

 

A colonização da América foi feita pelo sexo masculino. Não se tem notícia de que para cá vieram mulheres, com exceção de um pequeno número de prostitutas. Os machos sedentos de sexo que por aqui aportaram se depararam com as mulheres em pêlo que povoavam o continente. Não creio que as relações íntimas com estas mulheres se deram de forma consentida por aqueles que se julgavam de uma raça superior e subjugaram os habitantes do Novo Mundo, inclusive, na condição de escravos. 

 

O mesmo aconteceu com as negras e suas descendentes que serviam de escravas sexuais dos machos europeus e seus descendentes, o que resultou, aliado ao abuso das indígenas, na imensa miscigenação, notadamente, no Brasil. 

 

Enfim, somos todos filhos da mulher violada. Uma pátria de filhos espúrios. Somos todos filhos da puta! E alguns de nós, por reflexo condicionado, ainda se comportam como os colonizadores desta terra de ninguém!

 

Portanto, o País tem uma pesada herança de desrespeito para com o sexo feminino que permeia os nossos dias. A mulher ainda, como sempre foi, é considerada um objeto de prazer masculino que pode ser usada e abusada da forma que bem se entender. Enfim, uma prostituta! Inclusive julga-se ter sobre ela (s), como tinha sobre as escravas negras e indígenas, não somente o direito de fornicação, mas também, o poder de vida e morte.  

 

Este texto descreve uma das facetas cruéis da Pátria Amada que os olhos nublados, por falsos escrúpulos, se negam a enxergar e a admitir. 

 

Renato Gomes Nery. E-mail – rgnery@terra.com.br

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Edição 204 Novembro de 2019

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