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Sábado, 17 de Agosto de 2019, 09h:39
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SÉRGIO CINTRA
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“Oração ao Tempo” de Caê

Por: SERGIO CINTRA

 

No último dia 7, Caetano Veloso completou 77 anos de vida. Nasceu Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso, o quinto dos sete filhos de José Telles Velloso, funcionário público do Departamento de Correios e Telégrafos, e de Claudionor Vianna Telles Velloso. Em Santo Amaro da Purificação, pequena cidade do Recôncavo Baiano, próxima de Salvador.

 

Desde  cedo á demonstra pendor artístico: grava, em 1952, apenas para a família, “Feitiço da Vila”(Vadico e Noel Rosa); mas só em 63, ele faz seu primeiro trabalho profissional, ao compor a trilha sonora da peça “O Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues. Ainda não se vislumbrava o gênio que habitava nele.

 

Abandonar, em 65, a faculdade de Filosofia e conhecer João Gilberto foram determinantes em sua carreira. A Bahia e Salvador ficariam pequenas para Caê.   Segue com sua irmã, Maria Bethânia, para o Rio de Janeiro. Os anos sessenta são icônicos não só pelo maio de 68, na França e com ecos pelo mundo todo, mas também pelos festivais da MPB.

 

Impossível ser cronológico ou eletivo: não há espaço suficiente para esse gênio

Caetano participa com “Um dia”:”Abre os olhos, mostra o riso/ Quero, careço, preciso/ De ver você se alegrar/ Eu não estou indo embora/ Tou só preparando a hora/ De voltar/ De voltar”, eleita a melhor letra daquele espetáculo da Record (1966).no ano seguinte, terceiro festival da Record, “Alegria, Alegria”fica em quarto lugar. Já em curso o movimento tropicalista, cuja participação e engajamento de Veloso são determinantes. A Tropicália ou Panis et Circensis inspira-se na Antropofagia Oswaldiana e nas guitarras elétricas do Rock. Em 68, ao tentar cantar, no terceiro FIC – TV Globo, “É Proibido Proibir”, é vaiado e desclassificado. O ufanismo apregoado pela Ditadura faria suas vítimas, ele não seria exceção.

 

Em 69, as nuvens adensaram-se: Caetano e Gil são presos e partem para o exílio na Inglaterra. A quartelada de 64 cria o mito Velô, que se tornaria colaborador de O Pasquim; aliás, agora, totalmente digitalizado pela Biblioteca Nacional, suas 1072 edições estão disponíveis para o público. Além disso, compõe (p. ex. “London, London”), escreve, organiza o movimento e, finalmente, retorna em 1972. Aqui, faz a trilha Sonora do filme São Bernardo e regrava “Eu vou tirar você desse lugar”, de Odair José, considerada Brega. Também faz sucesso com “Felidade”, de Lupicínio Rodrigues.

 

Impossível ser cronológico ou eletivo: não há espaço suficiente para esse gênio. Poderia citar uma ou duas dezenas de obras primas do polêmico Caetano. Ainda assim, seria arbitrário.

 

Resta-me apenas encerrar com uma letra que, talvez, alguns mais novos não conheçam e, se conhecerem, nem de perto imaginam o significado de “Odara”- Hippie ou, para a esquerda ‘raivosa’, “alienado”: “Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara/ Minha cara minha cuca ficar odara/ Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara/ Pra ficar tudo joia rara/ Qualquer coisa/ que se sonhara/ Canto e danço que dará”.  

 

 

 

SÉRGIO CINTRA é professor de Linguagens e de Redação em Cuiabá

 

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Edição 196 Setembro de 2019

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