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Quarta-Feira, 06 de Junho de 2018, 11h:02
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A PEREGRINAÇÃO CONTINUA

Cárpatos de Bratislava

Por: VICENTE VUOLO

A peregrinação continua pelo Leste-Europeu, desta feita em Bratislava, capital da Eslováquia. A menos conhecida entre suas vizinhas Budapeste, Viena e Praga, mas nem por isso menos importante e charmosa. 

 

A Eslováquia e a própria Bratislava têm uma longa e rica história, com passado de dominações e conquistas. Fundada antes do século X, a cidade era conhecida originalmente como Pressburg.

 

Entre 1541-1784, foi capital da Hungria designada pelos Habsburgos, mostrando a importância de sua localização estratégica nas margens do Danúbio. Foi um período de prosperidade com grandes construções, com surgimento de palácios, mosteiros, igrejas e outros edifícios que ainda hoje impressionam pela sua rara beleza arquitetônica.

 

Em 1918, a Eslováquia juntou-se às regiões da Boêmia e da vizinha Morávia para formar a Checoslováquia. Com a separação do país que se seguiu ao Acordo de Munique em 1938, a Eslováquia transformou-se numa república separada, embora debaixo de um controle firme da Alemanha Nazista.

 

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Checoslováquia foi reconstituída e passou a estar sob influência da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, de 1945 em diante.

 

Em 1968 ocorre a Primavera de Praga, um breve período de tolerância política na região. O fim da Checoslováquia comunista decorreu em processo conhecido como Revolução de Veludo.

 

A Eslováquia tornou-se plenamente independente em 1° de janeiro de 1993. O país, hoje, é uma economia avançada de alta renda com uma das maiores taxas de crescimento da União Europeia.

 

Bratislava, desperta cada vez mais o interesse daqueles que apreciam uma cidade que foi por séculos a preferida dos Imperadores Austro-Húngaros. Afinal, 19 imperadores tiveram suas cabeças coroadas com o poder total sobre o vasto império.

 

Deslizar sobre os trilhos dos bondes elétricos é outro atrativo espetacular. Percorrer o centro histórico, admirar monumentos e prédios seculares como o “Castelo de Bratislava”, barroco, reconstruído a partir de 907 d.C. que abriga o Museu Nacional com vistas espetaculares; a Catedral de São Martinho, de arte gótica, palco de corações de reis húngaros; o Castelo de Devon, medieval, que oferece visão panorâmica dos rios Danúbio e Morávia; ou a ponte estaiada com o mirante em formado de disco voador sobre o rio Danúbio que divide a cidade nova e velha.

 

Tudo é maravilhoso e seguro. Caminhar pelo centro histórico, principalmente ao redor da praça principal (Hlavne Namestie) com seus pubs, restaurantes e museus. Na esquina da rua Panska fica a famosa “Estátua de Cumil”, estátua de um homem trabalhando dentro de um bueiro, olhando para cima. O Cumil tem sorte de ainda não ter perdido a cabeça, já que alguns carros o atropelaram.

 

Por isso, ele ganhou uma placa de trânsito própria: “homem trabalhando”. A paisagem eslovaca é deslumbrante pela sua natureza montanhosa, com os montes Cárpatos a desenrolarem-se ao longo da maior parte do norte do país.

 

Montanhas são seguras, desde que sejam respeitadas. Muitos moram nas alturas na Europa com segurança, inclusive nos Cárpatos, uma das notórias cordilheiras europeias. Elas começam no território de Bratislava, na Eslováquia, constituindo a segunda cadeia mais longa de montanhas da Europa (atrás apenas dos Alpes Escandinavos).

 

Os Cárpatos surgem no rio Danúbio perto de Bratislava e Viena, contornam a Hungria e a Transilvânia em um largo semicírculo cuja concavidade está dirigida ao sudoeste e terminam-se novamente no Danúbio entre Romênia e a Sérvia.

 

O comprimento total dos Cárpatos é de mais de 1.500 km e abrigam as maiores populações europeias de urso-pardos, lobos, camurças (cabra-montesa) e linces. Nos primeiros milhares de anos que os humanos vindos da África, em várias levas, habitaram a Europa, já procuravam os lugares altos, e conseguiram chegar e essas cordilheiras. Talvez com uma pitada de espírito de aventura, que caracteriza nossa espécie, mas certamente para fugir da praga que matou em toda a história, a Malária, que desde os primórdios expulsava os humanos das áreas baixas, dos litorais e estuários quentes e úmidos.

 

Viajar pelo mundo é compartilhar culturas, adquirir conhecimentos e comparar com a nossa realidade. Trazer e dividir o que vemos e, aprender com outros povos e culturas é uma forma de melhorar a nossa vida. Por isso, enxergo o mundo a partir do meu Mato Grosso, na esperança de que um dia tenhamos aqui o que de melhor vemos por lá. Eu escrevo para servir de estímulo aos leitores na esperança de todos desfrutarem dessa aventura romântica, de amor à natureza e à vida.

 

VICENTE VUOLO é economista e cientista político

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Edição 144 de Agosto de 2018

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