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04 de Abril de 2025

OPINIÃO Quinta-feira, 03 de Abril de 2025, 10:12 - A | A

Quinta-feira, 03 de Abril de 2025, 10h:12 - A | A

LANE COSTA

Não será sempre 1º de abril

Só que, o Brasil é um país que sempre duelou com a sua história. Foram necessários muitos estudos, muitos escritos de pensadores como Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Clóvis Moura, en

LANE COSTA

O dia 1º de abril é conhecido como o Dia da Mentira. Segundo dizem, a história teve início na França, no século XVI, atravessou os tempos e fronteiras, caindo no gosto popular como uma brincadeira a ser realizada entre amigos. Virou tradição!

Só que, o Brasil é um país que sempre duelou com a sua história. Foram necessários muitos estudos, muitos escritos de pensadores como Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Clóvis Moura, entre tantos outros, para que chegássemos ao Século XX compreendendo minimamente a nossa história, a nossa cultura. Por isso, o conhecimento nos é tão caro.

Aqui, no Brasil do Século XXI, o 1º de abril, Dia da Mentira está muito mais para o dia dos tolos ou dos bobos, como também é denominado. Contaminados por uma pós-verdade que assola o mundo, parcela significativa dos brasileiros disseminam indiscriminadamente as chamadas Fake News, a partir de mentiras ou meias verdades.

Recorro a Gramsci, ao tratar das Noções enciclopédicas. Opinião pública, no Caderno 7 (1930-1931), para ilustrar que a construção destas inverdades, ocorrem com o objetivo de “suscitar extemporaneamente explosões de pânico ou de entusiasmo fictício, que permitem alcançar objetivos determinados, nas eleições, por exemplo”.

Aproveitando-se de uma data que é ferida não cicatrizada na alma, na mente e nos corações dos brasileiros, o deputado estadual de Mato Grosso, Gilberto Cattani, que com todo direito se autodenomina conservador, resolveu pegar carona – neste 31 de março, antessala do golpe de 1964 – no bonde dos tolos e fazer apologia à ditadura militar, considerada crime no Brasil.

Este tipo de postura não é só criminosa, é desrespeitosa para com as milhares de famílias que perderam seus entes queridos num dos eventos mais violentos da nossa história. Me pergunto até quando teremos que reafirmar o óbvio: houve perseguições, torturas, estupros, desaparecimentos e mortes. Vindo de qualquer pessoa esta manifestação já é um acinte, mas vindo de um parlamentar é duplamente vergonhoso, pois demonstra a ignorância voluntária de um agente público, a negação da história e o desrespeito às leis brasileiras. Se fosse outra a configuração da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, mais progressista, o mesmo responderia por falta de decoro parlamentar.

A dialética demonstra que o mundo está em constante transformação. Não será sempre 1º de abril para que as mentiras dos tolos, que nos tomam por bobos, se perpetuem. Aos tolos o lixo da história. Como compôs Vital Farias E ninguém nem percebia/ Que o real e a fantasia se separam no final. E a verdade prevalecerá, pois foi por ela e pela democracia que muitos lutaram e lutam!

(*) LANE COSTA é Professora do IFMT. Pedagoga, doutoranda em Educação pela UFG. É presidenta do PCdoB/Cuiabá e da Federação Brasil da Esperança/Cuiabá.

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