O Cuiabá tem o maior investimento em futebol de todo o estado. A perda do estadual para o Primavera, no último sábado (29), tem que servir como sinal de alerta para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro 2025.
Quando olhamos para o ano de 2024 do Cuiabá Esporte Clube, vem à mente, obviamente, o amargo rebaixamento do time para a Série B. A última colocação no Brasileirão do ano passado escancarou feridas e más decisões por parte da direção do clube, dos técnicos (no plural mesmo) e, principalmente, dos jogadores dentro de campo.
Pelo menos o torcedor do Dourado viu o time conquistar o quarto título seguido do estadual em 2024. Porém, neste ano (2025), nem isso pode ser comemorado.
A perda do Campeonato Mato-grossense 2025, nos pênaltis para o Primavera Atlético Clube, na Arena Pantanal, no último sábado (29/03), mostrou ao torcedor que, para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro 2025, o time entra sim na competição com um sinal de alerta ligado.
Ficou nítido para todos que acompanharam não só os dois jogos das finais, mas todo o estadual, que o time possui falhas dentro e fora de campo, além de enfrentar dificuldades contra equipes com orçamentos indiscutivelmente menores.
A decisão da diretoria do clube de manter o jovem treinador Bernardo Franco para a temporada 2025 não foi vista com bons olhos por boa parte da mídia e, principalmente, pela torcida. Muitos torcedores argumentavam que manter um treinador que caiu com o clube não faria bem para o começo do novo ano e para a tentativa de retorno à elite do futebol brasileiro.
Pois bem, essa péssima tomada de decisão da diretoria ficou evidente quando o treinador, após uma sequência de desempenhos paupérrimos no estadual deste ano, somada à eliminação precoce na primeira fase da Copa do Brasil 2025 para o poderosíssimo Gazin Porto Velho Esporte Clube, de Porto Velho (RO), mostrou que Bernardo não era e nem deveria ter sido o nome certo para 2025.
Com a demissão do treinador anunciada no dia 20 de fevereiro (em meio à disputa do estadual), muitos torcedores se questionaram: “Por que isso não foi feito antes? Qual foi o motivo para a permanência dele?”
Era evidente que não havia razão nem desempenho para que Bernardo recebesse tal voto de confiança da diretoria.
Focada na disputa da Série B, a diretoria buscou no mercado o oposto de Bernardo, e foi nesse momento que o experiente treinador Guto Ferreira chegou ao comando do Dourado.
Estreando com uma goleada de 5 a 0 sobre o Sport Sinop, dentro da Arena Pantanal, no dia 22 de fevereiro, Guto conseguiu ao menos dar um ânimo novo à equipe dentro de campo. Mas nada fora do normal. Após a classificação “tranquila” na semifinal contra o Operário de Várzea Grande, por 3 a 0 no placar agregado, o time chegou como amplo favorito para a disputa das finais.
Esse favoritismo, no entanto, não entrou em campo. O time saiu atrás no placar no jogo de ida, no Estádio Municipal Antônio Santo Renosto (Cerradão), em Primavera do Leste, mas conseguiu virar para 2 a 1 contra o time da casa aos 40 minutos do segundo tempo.
Criou-se, então, a expectativa de que o jogo de volta, na Arena Pantanal, seria mais tranquilo. Torcedores e mídia imaginavam isso. Erro meu, seu e nosso.
O Dourado foi pouco efetivo no ataque e pagou o preço por isso. Ditados não existem à toa no mundo do futebol: "Quem não faz, leva!". Dito e feito. O gol do Primavera, ainda no primeiro tempo, condicionou toda a partida a uma disputa entre ataque e defesa, e não saiu disso até o apito final.
Assistimos a uma verdadeira história de Davi contra Golias. E, bravamente, o time de Primavera levou a partida para os pênaltis, onde se sagrou campeão após o Dourado desperdiçar duas cobranças.
Não é preciso identificar quem era Davi e quem era Golias nessa história. O "recém-nascido" Primavera jamais poderia imaginar que se sagraria campeão com menos de três anos de existência. Méritos totais ao Gigante Roxo, que conquistou o título após uma bela campanha.
Fica evidente que o Cuiabá precisará ajustar peças se quiser ao menos fazer uma boa Série B. E não só dentro de campo: fora dele também há ajustes a serem feitos. Essas palavras não são minhas, mas do próprio presidente e sócio-proprietário do clube, Cristiano Dresch.
“Hoje a gente fez um papelão irreconhecível. E a gente precisa rever muita coisa para não correr risco na Série B. Porque do jeito que nós apresentamos hoje, rebaixar (para a Série C) não é difícil. Então, assim, eu assumo responsabilidade sempre”, disse Dresch.
Se o próprio presidente do clube diz enfaticamente que as coisas estão ruins, quem somos nós para confiar que o time retornará à elite do futebol brasileiro em 2026?
Torcedor cuiabano, esperar o melhor é o que devemos fazer sempre, mas é difícil imaginar um salto tático e de desempenho da equipe.
O Cuiabá vem se reforçando após a saída de ídolos do clube. Porém, até o momento, nenhuma contratação parece ter surtido efeito ou se destacado. A Série B é um campeonato difícil, com muitos jogos, menos receita e menos público. O apoio incondicional da torcida, aliado ao bom desempenho dentro de campo, será essencial.
Mas, sinceramente, a perda do estadual acende um alerta gigantesco para o Dourado na longa disputa que é a Série B.
(*) GABRIEL HENRIQUE FREITAS BARBOSA é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e estagiário no site HiperNotícias MT. Participa do 'Canal Na Coruja' no Youtube. Grande entusista nas areas do esporte, cultura e literatura.
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Eugênio Eifler 03/04/2025
Perfeita análise.tem que montar um time de série A para disputar a B se não volta a A. É um time sem alma time morno sem graça falta vontade
1 comentários